Imposto de Renda 2026: Receita deve divulgar regras nos próximos dias e especialista recomenda preparação antecipada

A temporada do Imposto de Renda 2026, referente ao ano-base 2025, deve começar em breve, mas até esta semana a Receita Federal ainda não publicou a Instrução Normativa com as regras oficiais da declaração

A temporada do Imposto de Renda 2026, referente ao ano-base 2025, deve começar em breve, mas até esta semana a Receita Federal ainda não publicou a Instrução Normativa com as regras oficiais da declaração. A expectativa é que o anúncio ocorra na primeira quinzena de março, repetindo o cronograma dos últimos anos.

De acordo com especialistas, o calendário tende a seguir o padrão adotado desde a pandemia, com início da entrega entre 15 e 17 de março e prazo final até o fim de maio. Enquanto isso, contribuintes e empresas aguardam definições sobre limites de obrigatoriedade, deduções, prioridades de restituição e funcionamento da declaração pré-preenchida.

Calendário deve manter padrão

Historicamente, a Receita Federal divulga as regras poucos dias antes do início da entrega. O objetivo é alinhar os sistemas, cruzamentos de dados e ajustes operacionais. A tendência para 2026 é de continuidade desse modelo, com maior foco na integração de bases como e-Financeira, criptoativos e informações bancárias.

Segundo o contador tributarista e professor universitário André Charone, esse período de incerteza exige planejamento antecipado, sobretudo para empresários e profissionais liberais.

"Mesmo sem a publicação oficial, já é possível organizar documentos, revisar movimentações financeiras e avaliar estratégias. O contribuinte que se prepara antes reduz riscos de malha fina e consegue identificar oportunidades de economia tributária", afirma Charone.

Reforma do Imposto de Renda não impacta a declaração de 2026

Uma das principais dúvidas envolve a nova faixa de isenção até R$ 5 mil mensais, que passou a valer em 2026. No entanto, essa mudança não terá efeito direto na declaração entregue neste ano.

Isso ocorre porque o IRPF 2026 considera rendimentos obtidos em 2025, período anterior à vigência da nova regra. As alterações mais relevantes, como ampliação da isenção e tributação de dividendos elevados, só devem aparecer no ajuste anual de 2027.

Para Charone, essa diferença temporal gera confusão entre contribuintes e até profissionais.

"Muitos acreditam que já não precisarão declarar ou que pagarão menos imposto agora, mas a declaração de 2026 segue praticamente as mesmas regras. O impacto real da reforma será sentido apenas no próximo ciclo", explica.

Receita deve reforçar cruzamento de dados

Outro ponto esperado para esta temporada é o aumento da fiscalização digital. Nos últimos anos, a Receita ampliou o cruzamento de informações com bancos, corretoras, fintechs, plataformas de investimento e apostas online.

A expectativa é que a declaração pré-preenchida tenha maior abrangência, incluindo dados mais detalhados sobre:

  • investimentos no exterior;
  • movimentações financeiras relevantes;
  • rendimentos digitais;
  • operações com criptoativos.

"Hoje, o contribuinte não deve assumir que a Receita não tem acesso às suas movimentações. A fiscalização está cada vez mais automatizada. O erro comum é confiar apenas no informe de rendimentos e esquecer movimentações que também geram rastros fiscais", destaca Charone.

Preparação antecipada pode reduzir riscos

Especialistas recomendam que contribuintes comecem a reunir documentos como:

  • informes de rendimentos;
  • comprovantes de despesas médicas e educacionais;
  • extratos de investimentos;
  • dados de imóveis e financiamentos.

Para empresários, o foco deve ser ainda maior.

"Esse é o momento ideal para revisar distribuição de lucros, pró-labore e planejamento financeiro. Muitos erros ocorrem por falta de organização ao longo do ano, não apenas na declaração", afirma o especialista.

Oportunidades para planejamento tributário

A nova fase do Imposto de Renda também abre espaço para estratégias mais sofisticadas, principalmente diante das mudanças que entrarão em vigor nos próximos anos.

Segundo Charone, o planejamento deve incluir:

  • reorganização de rendimentos;
  • análise de regimes tributários;
  • revisão de estruturas societárias;
  • avaliação de investimentos no exterior.

"O contribuinte que se antecipa pode transformar o Imposto de Renda em ferramenta de gestão financeira, e não apenas uma obrigação anual", conclui.

Expectativa do mercado

A Receita Federal deve anunciar nos próximos dias:

  • calendário oficial de entrega;
  • novas regras de obrigatoriedade;
  • prioridades de restituição;
  • funcionamento da declaração pré-preenchida;
  • atualizações de sistemas e validações.

Enquanto isso, contadores e contribuintes aguardam a publicação que dará início a mais uma temporada de ajustes, fiscalizações e oportunidades de planejamento.

Sobre André Charone

André Charone é contador, professor universitário, Mestre em Negócios Internacionais pela Must University (Flórida-EUA), possui MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria pela FGV (São Paulo – Brasil) e certificação internacional pela Universidade de Harvard (Massachusetts-EUA) e Disney Institute (Flórida-EUA).

É sócio do escritório Belconta – Belém Contabilidade e do Portal Neo Ensino, autor de livros e centenas de artigos na área contábil, empresarial e educacional.

Seu mais recente trabalho é o livro "Empresário Sem Fronteiras: Importação e Exportação para pequenas empresas na prática", em que apresenta um guia realista para transformar negócios locais em marcas globais. A obra traz passo a passo estratégias de importação, exportação, precificação para mercados externos, regimes tributários corretos, além de dicas práticas de negociação e prevenção contra armadilhas no comércio internacional.

Links Úteis

Indicadores diários

Compra Venda
Dólar Americano/Real Brasileiro 5.1566 5.1596
Euro/Real Brasileiro 5.984 5.992
Atualizado em: 10/03/2026 17:34

Indicadores de inflação

12/202501/202602/2026
IGP-DI0,10%0,20%-0,84%
IGP-M-0,01%0,41%-0,73%
INCC-DI0,21%0,72%0,28%
INPC (IBGE)0,21%0,39%
IPC (FIPE)0,32%0,21%0,25%
IPC (FGV)0,28%0,59%-0,14%
IPCA (IBGE)0,33%0,33%
IPCA-E (IBGE)0,25%0,20%0,84%
IVAR (FGV)0,51%0,65%0,30%