Mais oportunidades no MCMV e ponto de atenção no aluguel

O início de 2026 desenha para o mercado imobiliário brasileiro um cenário de contrastes que exige leitura estratégica por parte das imobiliárias

O início de 2026 desenha para o mercado imobiliário brasileiro um cenário de contrastes que exige leitura estratégica por parte das imobiliárias.

De um lado, surgem novas oportunidades no segmento de vendas, impulsionadas pela ampliação do Minha Casa, Minha Vida (MCMV). De outro, o mercado de aluguel acende um sinal amarelo, com movimentos que pedem atenção na gestão de contratos, especialmente de imóveis comerciais.

No campo positivo, o governo federal anunciou o aumento das faixas de renda do Minha Casa, Minha Vida, ampliando o alcance do programa e permitindo que mais famílias tenham acesso às condições de financiamento habitacional.

Segundo reportagem de O Globo, todas as faixas terão seus tetos reajustados, corrigindo defasagens acumuladas nos últimos anos em função da inflação e da evolução da renda formal. Com isso, a Faixa 1 passa a atender famílias com renda mensal de até cerca de R$ 3.200, a Faixa 2 é ampliada para rendas de até aproximadamente R$ 5.000, enquanto a Faixa 3 segue contemplando famílias com renda de até R$ 8.600.

Além disso, o programa mantém a Faixa 4, voltada à classe média, que abrange famílias com renda mensal de até R$ 12.000, ampliando ainda mais o público elegível ao crédito habitacional.

Na prática, esse movimento destrava projetos que estavam represados, melhora a viabilidade de novos lançamentos e amplia significativamente o público potencial para aquisição de imóveis financiados.

Para as imobiliárias, trata-se de uma oportunidade concreta de crescimento no segmento de vendas: revisar portfólios, identificar imóveis que passam a se enquadrar nas novas regras, atualizar equipes comerciais e reforçar a comunicação com clientes que agora podem acessar o MCMV.

Em um ano com forte componente eleitoral, a expectativa é de que o programa siga no centro da agenda habitacional, o que tende a sustentar um ambiente favorável ao longo dos próximos meses.

Já no mercado de aluguel, o cenário exige leitura mais cuidadosa. Reportagem do Times Brasil mostra que a inflação do aluguel, medida pelo IGP-M, voltou a subir em janeiro de 2026, com alta mensal de 0,41%, interrompendo uma sequência de quedas. Ainda assim, o índice permanece negativo no acumulado de 12 meses, indicando que a inflação média dos aluguéis segue desacelerada.

O ponto de atenção, no entanto, não está distribuído de forma homogênea. Os sinais mais claros de risco aparecem no segmento de aluguel comercial. O aumento da inadimplência em contratos comerciais exige das imobiliárias uma gestão mais próxima dessas carteiras, com análise de crédito mais criteriosa e acompanhamento constante dos contratos.

O recorte regional também merece atenção: embora o Sul continue sendo a região com os menores índices de inadimplência do país, começam a surgir movimentos que justificam monitoramento contínuo, ao lado de crescimentos observados no Sudeste e no Centro-Oeste. Ainda não se trata de um alerta vermelho, mas o sinal amarelo está aceso para o aluguel comercial ao longo de 2026.

Nesse contexto, ganham relevância iniciativas que reduzem fricções operacionais e ajudam as imobiliárias a lidar melhor com esse risco. A Loft, por exemplo, avançou de forma significativa nos fluxos de aprovação para pessoas jurídicas, com processos mais simples, menos exigência de documentos e maior eficiência na análise de crédito.

Na prática, isso torna a gestão de contratos comerciais mais ágil e menos burocrática do que no início do ano passado, contribuindo para melhorar a experiência das imobiliárias e facilitar a entrada de novos inquilinos, justamente em um momento em que o segmento exige mais atenção.

Em síntese, o mercado imobiliário inicia 2026 dividido entre novas oportunidades no Minha Casa, Minha Vida — que fortalecem o segmento de vendas e ampliam o público financiável — e um sinal amarelo no mercado de aluguel, concentrado principalmente nos contratos comerciais. As imobiliárias que conseguirem acelerar onde há estímulo e atuar com mais técnica e critério onde surgem sinais de risco tendem a sair na frente em um ano que promete ser decisivo para o setor.

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